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- Portaria 233/2022: Se as regras existem, porque é que o problema continua?
Portaria 233/2022: Se as regras existem, porque é que o problema continua?
A legislação existe. As diretrizes são claras. A Portaria n.º 233/2022 veio reforçar princípios importantes no recrutamento público. E ainda assim, na prática, pouco mudou. Porquê?

Há uma ideia que se instalou silenciosamente: “Se há regras, o problema está resolvido”
Mas quem está no terreno sabe que não é assim.
Os procedimentos concursais continuam lentos.
Os candidatos continuam sem visibilidade.
As equipas continuam sobrecarregadas.
E isto levanta uma pergunta desconfortável:
O problema está na falta de regras ou na forma como as estamos a executar?
Cumprir não é o mesmo que funcionar
A Portaria n.º 233/2022 veio trazer orientação, estrutura e exigência ao recrutamento público, e isso é positivo.
Mas há um erro comum: Confundir cumprimento com eficácia
Um processo pode estar 100% conforme a lei e, ainda assim:
- ser lento
- ser complexo
- gerar frustração
Cumprir a lei não garante um bom processo, garante apenas que está dentro das regras.
O ponto cego do recrutamento público
Existe algo que raramente se discute: A lei define o “o quê”, mas raramente resolve o “como”.
E é precisamente no “como” que tudo se perde.
- Como é feita a gestão das candidaturas?
- Como se organiza a informação?
- Como se garante consistência na análise?
- Como se comunica com os candidatos?
Se o “como” for manual, fragmentado ou pouco estruturado, o resultado será sempre o mesmo, independentemente da legislação.
A tecnologia existe, mas não resolve tudo.
Outro argumento comum: “Mas já usamos ferramentas”
Sim, mas usar tecnologia não significa resolver o problema.
Na prática, muitas entidades trabalham com:
- múltiplas plataformas
- folhas de cálculo paralelas
- emails como canal principal
- processos que não comunicam entre si
O resultado? Mais complexidade.
A tecnologia, quando mal integrada, não simplifica. Amplifica o caos.
O verdadeiro problema não é legal, é estrutural.
E aqui está o ponto que poucos dizem claramente: O recrutamento público não falha por falta de enquadramento legal, falha por falta de estrutura operacional adequada.
Enquanto os processos dependerem de:
- validação manual intensiva
- organização descentralizada
- ausência de visibilidade para o candidato
Nada muda!
Mesmo com leis atualizadas e muito boas intenções.
A pergunta que muda tudo
E se o foco nunca devesse ter sido apenas cumprir?
E se o verdadeiro objetivo fosse: Tornar o processo claro, rastreável e eficiente para todos os intervenientes?
No próximo artigo, vamos sair da crítica e entrar na mudança.
- O que é que está finalmente a evoluir no recrutamento público?
- E o que é que começa a permitir processos mais rápidos, transparentes e controlados?
Sem promessas vazias.
Com impacto real.
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