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Ciberataques: o que fazer no dia seguinte?
Entenda porque é urgente investir em cibersegurança municipal e siga esta checklist de primeiros passos após um incidente.

Em 2025, os ciberataques são uma realidade incontornável para as autarquias em todo o mundo.
Os dados são alarmantes:
Só no primeiro trimestre deste ano, as organizações registaram em média 1 925 ataques informáticos por semana, representando um aumento de 47 % face a 2024.
A maioria destes ataques tem como principal vetor o phishing, responsável por 31% dos incidentes, seguido do ransomware, que embora mais sofisticado, registou uma ligeira queda de 7% em frequência.
Com um custo médio de 4,88 milhões de euros por violação de dados, a ameaça não é apenas tecnológica, mas principalmente financeira, operacional e reputacional!
As instituições públicas são os alvos preferenciais devido à sua elevada dependência digital, limitações orçamentais em cibersegurança e à natureza sensível dos dados que gerem.
Em território nacional, o cenário não é mais animador.
Segundo o Observatório de Cibersegurança 2024, os ataques a entidades públicas continuam a crescer, com destaque para campanhas de phishing e ransomware, que exploram falhas humanas e vulnerabilidades tecnológicas.
Na Península Ibérica, cada organização sofreu em média 1 730 ataques por semana entre abril e setembro de 2024. Portugal destaca-se ainda negativamente: 85 % dos ficheiros maliciosos foram entregues por e-mail, muitas vezes disfarçados de comunicações legítimas.
Exemplo paradigmático foi o ataque de ransomware à Agência para a Modernização Administrativa (AMA) em outubro de 2024, que afetou serviços críticos como a autenticação.gov e o Gov.ID. Este incidente revelou a fragilidade dos sistemas de autenticação digital e a dependência crescente das autarquias em plataformas centralizadas.
Além do impacto direto nos serviços, estas situações criam desconfiança junto dos cidadãos e podem comprometer dados pessoais, como registos fiscais, sociais e de saúde.
O que fazer após um ataque?
Embora a prevenção seja essencial, é igualmente vital saber como reagir de forma eficaz nos momentos imediatos após um ataque. Por isso, preparamos uma checklist prática adaptada à realidade das autarquias:
✅ Isolar os sistemas afetados
Desconectar imediatamente os equipamentos comprometidos da rede para evitar a propagação do ataque.
✅ Ativar o plano de resposta a incidentes
Acionar o protocolo interno de cibersegurança (que é obrigatório existir nas entidades públicas) e envolver as equipas técnicas e de gestão.
✅ Preservar as evidências
Realizar cópias forenses dos discos, registos e logs sem apagar ou modificar ficheiros.
✅ Notificar os responsáveis internos
Informar a direção da autarquia, os responsáveis técnicos e o Encarregado de Proteção de Dados (DPO).
✅ Contactar as autoridades competentes
Notificar o CNCS, a CNPD (em caso de dados pessoais envolvidos) e a Polícia Judiciária.
✅ Comunicar externamente, se necessário
Informar os cidadãos e a comunicação social de forma transparente, sobretudo se os serviços públicos forem afetados.
✅ Avaliar o impacto do ataque
Identificar os sistemas e dados comprometidos, o tipo de ataque e a extensão dos danos.
✅ Recuperar os sistemas a partir de backups seguros
Restaurar os serviços de forma segura e verificar que os backups não foram também comprometidos.
✅ Reforçar medidas de segurança
Alterar credenciais, aplicar atualizações críticas, rever políticas de firewall e segmentação de rede.
✅ Documentar o incidente e aprender com ele
Criar um relatório completo do ataque e atualizar os planos de contingência e formação interna.
As autarquias não podem continuar a encarar a cibersegurança como uma preocupação técnica secundária.
É uma questão estratégica para a continuidade dos serviços públicos e para a confiança dos cidadãos. Não deixe para amanhã e reveja os seus protocolos de segurança.
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