-
Blog
- Entre eleições, financiamentos e decisões: o que 2025 nos ensinou sobre o digital
Entre eleições, financiamentos e decisões: o que 2025 nos ensinou sobre o digital

2025 foi um ano difícil para a administração pública, principalmente a local, não por falta de ambição ou investimento, mas porque vários fatores estruturais coincidiram no tempo e tornaram a gestão diária particularmente complexa.
Eleições, programas de financiamento ativos e prazos críticos aconteceram em simultâneo, quase nunca alinhados entre si. O efeito prático sentiu-se no terreno: financiamentos que demoraram a chegar, decisões estratégicas adiadas e equipas a gerir um número elevado de procedimentos de contratação pública ao mesmo tempo.
Em específico para muitos municípios, 2025 foi menos um ano de planeamento e mais um exercício permanente de resposta à pressão.
Este contexto ajuda a explicar porque razão, apesar de se ter feito muito, nem sempre foi possível fazer melhor.
Não se tratou de falta de visão digital, mas de falta de margem.

-
A contratação pública atingiu um nível de congestionamento pouco habitual, obrigando serviços já sobrecarregados a decidir rápido, muitas vezes sem o tempo necessário para pensar de forma integrada e estratégica.
Quando se corre contra o relógio, o risco de soluções avulsas aumenta, mesmo quando a intenção é construir algo sólido.
Num ano marcado por prazos apertados e decisões tomadas sob pressão, importa também reconhecer o trabalho desenvolvido em conjunto com as entidades públicas com quem colaborámos.
A proximidade, a comunicação constante e a presença no terreno foram determinantes para cumprir timings exigentes e encontrar soluções possíveis num contexto que nem sempre ajudou. Esse trabalho conjunto, feito muitas vezes longe dos holofotes, permitiu-nos aprender em conjunto, ajustar processos e ganhar uma maturidade que não se constrói em laboratório.
Um eterno agradecimento para as equipas que forçaram os limites do possível e se empenharam em prol de um melhor serviço ao cidadão.
Houve, ainda assim, dados que merecem uma reflexão mais profunda.
Em 2025, só a WireMaze submeteu vinte sites de municípios ao Selo Ouro de Acessibilidade e Usabilidade. À data, existem apenas doze sites certificados em todo o país e nenhum pertence à administração local.
A maturidade digital não se mede apenas pelo número de serviços online ou pela modernidade de um portal. Mede-se pela capacidade de garantir que todos os cidadãos conseguem aceder à informação e aos serviços públicos, independentemente das suas limitações.
Enquanto a acessibilidade for tratada como uma validação final e não como um princípio de base, continuará a ficar para segundo plano.
Podemos contudo dizer que ficamos menos frágeis e demos enquanto sociedade passos seguros para uma administração pública mais orientada para o cidadão e mais inclusiva.
Ao mesmo tempo, 2025 ficará também marcado como o ano em que a inteligência artificial deixou de ser apenas discurso.
-
Foi o ano em que se lançaram mais sites municipais e, na maioria deles, a IA já está integrada de forma prática, seja no atendimento através de assistentes virtuais, seja na pesquisa inteligente de conteúdos.
Importa também reconhecer as entidades públicas que, mesmo num contexto exigente, decidiram arriscar de forma informada na adoção de inteligência artificial como instrumento de aumento de produtividade. Em vez de aguardarem por soluções maduras no papel, optaram por experimentar, medir e ajustar, sempre com responsabilidade.
O caso do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), que integrou inteligência artificial em processos ligados ao recrutamento para funções públicas, é um exemplo claro dessa abordagem pragmática.

Ao utilizar a tecnologia para apoiar processos internos, libertaram recursos e melhoraram a capacidade de resposta, sem perder de vista os princípios que regem a administração pública.
2025 não foi o ano da IA experimental nem da promessa vaga. Foi o ano da IA em produção, aplicada a problemas concretos e com impacto real na relação entre a administração pública e o cidadão.
É precisamente por isso que 2026 não pode ser mais um ano de corrida.
Depois de um período marcado pela urgência, 2026 tem de ser o ano da consolidação.
Menos projetos isolados, menos decisões tomadas apenas para cumprir prazos e mais integração, mais governação e mais visão de médio prazo.
A transformação digital já não é o maior desafio da administração. O desafio passa, cada vez mais, por garantir que aquilo que foi lançado funciona bem, está integrado e cria valor.
A este contexto junta-se um fator que tornará 2026 ainda mais exigente: a adaptação da administração pública à Diretiva NIS2. Depois de anos focados na proteção de dados, com o RGPD, e na criação de mecanismos de confiança interna, como a lei dos denunciantes, a NIS2 vem alargar o olhar para a resiliência dos próprios sistemas e serviços digitais.
Convém dizer que já não se trata apenas de proteger dados ou garantir canais seguros de denúncia. Trata-se de assegurar que os serviços digitais são robustos, que os incidentes são prevenidos, que existe capacidade de resposta e que a continuidade do serviço público não fica em risco.
A NIS2 não é, por isso, mais um normativo a cumprir. É um teste à maturidade da governação digital. Obriga a olhar para fornecedores, processos, pessoas e tecnologia como um todo e expõe fragilidades que durante anos foram empurradas para segundo plano. Em 2026, esta adaptação deixará claro quais as organizações que evoluíram de forma estruturada e quais as que apenas digitalizaram à superfície.
A lógica de maturidade terá efeitos muito concretos em áreas específicas da ação da administração pública.
Uma delas será, a título de exemplo, o apoio ao associativismo pelos municípios, uma área historicamente marcada por processos complexos, pouco previsíveis e fortemente dependentes de análise manual.
Em 2026, tudo indica que este será um dos domínios onde a transformação digital mais se fará sentir.

-
A integração de plataformas, a melhor organização da informação e o apoio à decisão permitirão respostas mais rápidas, maior transparência e uma relação mais clara entre municípios e associações, com ganhos reais para ambos.
Em 2026, a inteligência artificial deixará de ser apenas um canal visível e passará a assumir-se como infraestrutura. Uma infraestrutura que orienta o cidadão, simplifica processos, reduz fricção e apoia decisões internas, mas que exige regras claras, supervisão humana e responsabilidade. A discussão deixará de ser se a IA deve ou não ser usada e passará a centrar-se na forma como é governada.
A adoção de inteligência artificial deverá também alargar-se a novos canais de interação, com particular destaque para a voz. À medida que os cidadãos se habituam a comunicar verbalmente com sistemas digitais no seu quotidiano, tornar-se-á cada vez menos natural limitar o contacto com a administração pública a interfaces exclusivamente textuais ou a formulários.
A utilização da voz, apoiada por IA, permitirá tornar o acesso aos serviços mais direto, mais inclusivo e mais próximo, sobretudo para públicos com menores competências digitais ou com dificuldades no acesso a canais tradicionais. Mais do que introduzir um novo meio de contacto, este passo representa uma evolução natural do atendimento público, alinhada com as expectativas dos cidadãos e com a necessidade de respostas mais imediatas.
O mesmo se aplica à acessibilidade. Em 2026, já não pode continuar a ser encarada como um detalhe técnico. Tem de passar a ser uma decisão política clara, assumida desde o desenho dos serviços digitais. A inclusão não é um extra. É parte da qualidade do serviço público.
Outro desafio que ganhará peso é a transição de um modelo reativo para um modelo verdadeiramente proativo. O cidadão não deveria ter de saber qual é o serviço certo nem quando o deve pedir. O serviço público é que deveria antecipar necessidades, comunicar de forma contextual e simplificar percursos. A tecnologia já o permite. O maior obstáculo continua a ser organizacional.
No centro de tudo isto continuam a estar as pessoas.
-
Sem equipas capacitadas, sem tempo para aprender e sem continuidade entre mandatos, qualquer transformação será sempre frágil. A maior lacuna digital da administração pública não é tecnológica. É de governação, de cultura e de visão sustentada.
Talvez por isso 2026 deva ser, acima de tudo, o ano da responsabilidade digital. Responsabilidade na forma como se desenham serviços, na forma como se usam dados e inteligência artificial, e na forma como se garante confiança, transparência e inclusão.
Digitalizar deixou de ser suficiente. O impacto do digital na vida das pessoas é hoje demasiado grande para não ser assumido de forma consciente.

2025 foi um ano difícil. 2026 será decisivo.
Não pelo que se vai lançar, mas pela forma como se escolhe consolidar, melhorar e assumir aquilo que já existe.
2026 é o momento de aprofundar o que já foi feito, trabalhando lado a lado para transformar soluções em impacto real, sistemas em confiança e tecnologia em valor para as pessoas.
É assim que se promove cidadania: criando serviços que aproximam, incluem e fazem sentido no dia a dia, reforçando uma sociedade mais justa, mais ligada e mais consciente do seu papel coletivo.
Sugestões de leitura
-
2026 já começou, a questão é: está preparado?
Artigo de Opinião2026 já começou, a questão é: está preparado?
05 Jan -
2025 em 5 Pontos (E Alguns Extra)
Artigo de Opinião2025 em 5 Pontos (E Alguns Extra)
29 Dez -
Os nossos clientes falam por nós: satisfação, confiança e evolução
ClientesWiremazeOs nossos clientes falam por nós: satisfação, confiança e evolução
09 Jul -
O que não fazer em 2025
Artigo de OpiniãoO que não fazer em 2025
01 Jan
Conheça as nossas soluções para:
-
/o-que-fazemos/cidadania

Cidadania
Comunicação, transparência e participação na sua autarquia.
-
/o-que-fazemos/equipas

Equipas
Produtividade e transparência interna.
-
/o-que-fazemos/parceiros

Parceiros
Relação inovadora com os parceiros sociais e económicos.
-
/o-que-fazemos/turismo

Turismo
Promoção da cultura regional de forma atrativa e interativa.